
Quando penso no fato de Orlândia estar a fazer 100 anos agora, dia 30 de março, espanto-me com a juventude de nossa cidade. Por outro lado, é preciso registrar a velocidade das transformações por quais ela passou.
Em 1910, esta região era uma fronteira agrícola do Brasil. Rendia-se à marcha inexorável do café. O coronelismo não era uma palavra do nosso folclore histórico. De fato, um coronel – de carne e osso – fundou às margens da estrada de ferro, a cidade que lembraria o seu nome.
Homem de visão, Cel. Francisco Orlando Diniz Junqueira projetou os arruamentos da pequena vila que então se formava. Hoje, um século se passou e ele é cotidianamente lembrado e sentido por todos, pois Orlândia continua a ter, em todas as suas ruas e avenidas, o mesmo traçado por ele então planejado.
Orlândia tem, até hoje, a “cara” de seu fundador. E nunca deixou de corresponder às suas expectativas em traçar o seu rumo com dinamismo – o que, aliás, é característica de toda nossa região.
Depois do café, muitos foram os ciclos econômicos que impulsionaram o desenvolvimento da cidade. Não podemos deixar de mencionar o arroz e o algodão, que também fizeram época, até que a fundação da Usina Vale do Rosário selou a predominância agrícola das nossas áreas rurais.
Mas a grande transformação veio mesmo como resultado de uma “geração de ouro”, que esta cidade conheceu. São poucos os anos que separam o início de atividades de grandes negócios que trouxeram um grande desenvolvimento econômico. Falo de Comove, Morlan, Carol, Brejeiro, Intelli, que entre outras indústrias, capitanearam o desenvolvimento das já tradicionais casas comerciais, como Mei e Trevisani, exemplos de nomes que até hoje facilmente reconhecemos. E outros empreendimentos que também marcaram época, como as revendas A.Alves, Oimasa, JC Barroso e Palma.
Em relação à infraestrutura básica, para se ter uma ideia do curto espaço de tempo em que surgiu tudo o que praticamente temos hoje em Orlândia, basta citar o exemplo de meu sogro, Dr. Pedro Tassinari Filho, que ao construir sua casa, no início da década de 50, aparelhou-a de um mini sistema de tratamento de água – a água que abastecia as suas torneiras via in natura, direto do Córrego dos Palmitos. Quando ele foi prefeito, em 1960, as ruas e avenidas não eram pavimentadas. E a Morlan, quando se mudou, pela primeira vez, instalou-se em local então considerado “fora da cidade”- na Avenida Nove com a Rua Seis, área hoje tida como centro de nossa cidade.
Quando eu mesmo me mudei para cá, em 1981, não havia salas de aula suficientes para que todos pudessem estudar – o número de matrículas era consideravelmente menor do que os alunos em idade escolar fundamental. E quando fui prefeito, em 1993, a cidade ainda não dispunha, em uma grande quantidade de bairros, de muitas das essenciais infraestruturas, como guias e sarjetas, pavimentação, iluminação pública, galerias pluviais, entre outras, Sem falar na rede de esgoto, que era uma verdadeira novidade em bairros como o Santa Rita, por exemplo.
Estes benefícios que hoje são impensáveis não existirem, são resultados de um enorme esforço que as administrações públicas realizaram em anos ainda tão recentes. Administrações que sempre contaram com apoio de deputados de nossa região. É imperativo mencionar dois, em especial: Oswaldo Ribeiro Junqueira e Maurício Leite de Moraes.
Digo isso tudo, não para ficar apenas glorificando o nosso passado, mas com o objetivo de relembrar às atuais gerações o espírito progressista que sempre nos dominou. E que devemos tratar este mesmo espírito como nossa maior herança.
Que os próximos 100 anos da história de Orlândia possam frutificar, tanto quanto frutificaram estes 100 que ora comemoramos. E vamos esperar, no decorrer deste ano festivo, que Orlândia demonstre maturidade para se unir em torno de novas conquistas.




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