
Esta é a segunda parte da entrevista (das cinco que publicarei semanalmente aqui no Blog) que concedi à Revista Nossa Escola em Dezembro/2008 - final de meu mandato como secretário da Educação de Orlândia (2001 à 2008).
*Foto publicada junto à entrevista, na revista Nossa Escola.
Pode-se afirmar que a municipalização do Ensino foi o grande desafio de sua gestão como secretário da Educação Municipal de Orlândia?
Estevão: Acredito que tenha sido o caminho encontrado para, aí sim, encararmos o grande desafio: problemas de semianalfabetização detectados em uma considerável fatia de alunos que estava terminando o Ensino Médio. Não adianta ter um sistema de ensino que não ensina. Mas como poderíamos agir com uma Rede controlada pelo Estado? A possibilidade de municipalizar surgiu com a criação do FUNDEF (hoje FUNDEB – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), que oferece aos municípios a possibilidade de assumir, com liberdade administrativa, a responsabilidade pelo Ensino Fundamental. Foi a oportunidade para que pudéssemos atuar de forma efetiva.
Então municipalizar mudou o Ensino de Orlândia?
Estevão: Claro que não! Se tivéssemos municipalizado e deixado as coisas como estavam, não teria adiantado. Portanto a municipalização, eu reafirmo, foi apenas o caminho para propor soluções e agir sobre uma Rede de Ensino problemática em que 30% dos alunos do Ensino Médio tinham nível de alfabetização e instrução matemática insuficientes para sequer passar do atual 5º ano do Fundamental. Uma situação absurda.
Essa não é uma realidade brasileira?
Estevão: Sim. Pesquisas mostraram que em 2006 havia 27% de alunos iletrados no Brasil. Ou seja, estávamos dentro dessa estatística. Mas imagino que nessa época, não só Orlândia, mas muitas outras cidades resolveram enfrentar o problema de maneira mais adequada.
Em Orlândia, esse número foi reduzido?
Estevão: Reduzimos esse índice a um número baixo, perto do zero. Então tenho a grata satisfação de dizer que enfrentamos esse desafio com sucesso. Porém, índice é apenas um indicador e não significa que o nível de ensino esteja como almejamos, e sim que evoluiu. É muito importante ressaltar que educação não é um tema que apresenta resultados rápidos. É um trabalho diário, cujos frutos começam a aparecer em 8 ou 10 anos. Nesse sentido, acredito que a futura gestão deve continuar a perseguir esse mesmo objetivo inicial.
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