quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Educação focada no futuro (última parte)


Esta é a quinta e última parte da entrevista que concedi à Revista Nossa Escola em Dezembro/2008 – final de meu mandato como secretário da Educação de Orlândia (2001 à 2008).

Foto: Revista Nossa Escola


O que você gostaria de ter feito como secretário e não teve tempo ou condições nesses oito anos?
Estevão:
Se o administrador público termina sua gestão afirmando que concretizou todos os seus projetos, isso significa que tinha uma expectativa muito baixa ou planejou fazer menos do que deveria. A gente faz o que consegue e fica desapontado pelo que não cumpre. Ninguém quer sair deixando coisas por fazer. Há certa insatisfação de que planos traçados não foram consolidados porque não houve tempo hábil ou recursos suficientes. Por outro lado, de uma forma geral, isso não me deixa desapontado porque demonstra o quanto sonhamos e projetamos. Como exemplos, posso listar aqui projetos que, entre muitos, não deu tempo de realizar, como a aquisição do CREO para sua incorporação à EMEB Coronel Francisco Orlando, a finalização da reforma da EMEB Maria Aparecida, um estágio mais avançado na implantação dos laboratórios de informática nas escolas, a extensão dos programas extracurriculares para todos os alunos de todas as escolas. Mas está tudo basicamente em andamento para que as futuras administrações possam dar continuidade.

Algum ponto o preocupa especificamente no planejamento que não conseguiu cumprir?
Estevão:
Sim, há uma coisa que eu gostaria de ver bem encaminhada: a diferenciação e o entendimento claro de toda nossa estrutura educacional. É preciso que se discuta mais profundamente a distinção, institucionalmente falando, entre as competências que são específicas da soberania, da autonomia e das defesas de interesses dos professores. É fundamental não esperar que a Secretaria faça o papel de defensora dos interesses dos profissionais da área, nem que os professores, como categoria, administrem os interesses educacionais do município. Não é bom, tampouco, que a Secretaria interfira nas particularidades das escolas, assim como não é adequado q se transforme numa federação de escolas. Começamos a debater o tema mais recentemente e muitas vezes tropeçamos nessas questões. Não ficou claro o que é função da Secretaria e o que é papel da escola e como os educadores e profissionais da área devem ter seus legítimos interesses atendidos. Por isso, acho de fundamental importância que os futuros dirigentes políticos de nosso município dediquem especial atenção a esse assunto. Pode parecer uma mera discussão teórica, mas não é. Se o corporativismo é a essência do fascismo e do autoritarismo, a ausência de instituição só pode nos levar à anarquia. Devo defender que a divisão clara de poderes é a única forma de fortalecer uma verdadeira autoridade democrática.

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